“Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela, porque tudo é desestabilizado a partir da base da pirâmide social”. Angela Davis – ativista negra, filósofa, professora norte americana

Monica costa grana prettaSou Mônica Costa, filha única, criada em uma casa matriarcal: mãe, avó, tias e madrinhas. Neste ambiente, cheio de muito amor e afeto, aprendi que deveria saber um pouco de tudo: de cozinhar a trocar telhados. E ouvia sempre de minha avó: “Filha, você pode ser tudo o que quiser ser! ”

Inspirada pelas reportagens de Glória Maria, a única que se parecia comigo naquele
mundo mágico, decidi que seria jornalista! Sempre amei escrever e lia até bula de remédios, rs.

Na fase pré-vestibular vivi um dilema: eu não tinha a 2a opção para apontar na inscrição! Somente o jornalismo me interessava!
Logo após a formatura, perdi minha mãe e minha avó. Mas guardei a sensação de que elas partiram tranquilas porque sabiam que eu tinha entendido a lição e estava pronta para ser o que eu sempre quis ser.

E assim foi. Por mais de 20 anos atuei em grandes e importantes veículos de comunicação, mas, diferente do que aprendi em casa, nestes ambientes, nunca tive a oportunidade de ser quem eu queria mesmo ser. “ Esta vaga não é para você”, “ Ah, mas este visual não é adequado”, “ Você não é o perfil que buscamos para este projeto” eram as frases mais recorrentes em minha rotina de trabalho.

Assim achei que deveria me adaptar: mudar visual, mudar gostos culturais, mudar posturas. Deixei de ser eu.

O nascimento dos meus filhos – Pedro e Ayana – me colocaram em uma encruzilhada: como eu poderia dizer para eles o que ouvia da minha avó, se eu já não sabia quem eu era?

Então decidi buscar caminhos e me reencontrar. Para isso precisaria de grana para o respiro da transformação e foi neste momento que descobri a educação financeira, depois veio o autoconhecimento e então redescobri minha história!

Percebi que as mulheres da minha vida também passaram pela negação e invisibilidade a que fui submetida por tantos anos. Mas eu estava decidida a entregar outro legado para os meus filhos.

Resgatei a criatividade que aprendi quando pequena “ na vida precisamos saber de tudo um pouco”, e decidi recomeçar em um novo segmento, com um novo olhar e disposta a compartilhar minha verdade com outras mulheres como eu que, possivelmente, tiveram e têm histórias de vida tão semelhantes.

Assim nasceu o GranaPretta, um projeto que trabalha a educação financeira e a autoestima da mulher negra. Hoje, vivendo do meu propósito, tenho a oportunidade de colaborar para que outras mulheres reencontrem sua essência e sejam tudo o que quiserem ser, exatamente como minha avó me ensinou.