Rosas Negras

Rosas Negras

Como nossas ancestrais, as primeiras empreendedoras do Brasil, usavam o ofício como resistência

As mulheres escravizadas, que a partir do século 19 também passaram a ser exploradas como “negras de ganho” trabalhavam nos Largos e Praças das grandes capitais ( São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Minas Gerais…)  negociando suas próprias produções como quitutes, artesanatos ou prestando serviços como lavadeiras. 

Sagazes e inteligentes, as “ganhadeiras” – que foram as primeiras empreendedoras deste País – , viram na atividade uma forma de resistência e de luta contra a escravidão e incluíram rosas na extensa lista de produtos que ofereciam nas ruas. Os valores arrecadados com as flores – após o repasse do ganho do escravizador – eram poupados para a compra da alforria de seus filhos.

A rede estrategicamente articulada logo recebeu adeptos entre abolicionistas e se transformou em um potente movimento pelo fim da escravatura. As valentes mulheres que conseguiram burlar  as medidas de vigilância e controle social impostos pelo sistema escravagista passaram a ser conhecidas como Rosas Negras e transformaram-se em símbolo da resistência na luta pelo próprio sustento e pela liberdade de todo um povo. 

A estratégia se perpetuou

No século passado, na década de 30, as mulheres integrantes da Frente Negra Brasileira, primeiro partido político negro do Brasil, em respeito às lideres ancestrais, adotaram o símbolo da rosa negra do peito como forma de identificação entre aquelas que seguiam lutando pela liberdade e respeito à negritude.

Atualmente o empenho destas guerreiras também foi alcunhado na parada do VLT Carioca  situado na avenida Marechal Floriano, região central do Rio de Janeiro. A Parada Camerino/Rosas Negras faz uma homenagem ao movimento de mulheres contra a escravidão e a favor dos direitos dos negros. A medalha Rosa Negra é também uma iniciativa da OAB/RJ que pretende que tal homenagem componha o quadro de medalhas da entidade.

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